Histórias de Café

“Bendito café”

– É um café, por favor.
Ana pegou, de forma desalentada, na chávena do café e pensou: “Era bom que me arrebitasses, era!”.
Uma hora atrás a sua amiga Joana dissera-lhe ao telefone: “Não quero que fiques aí sozinha e deprimida!Sai imediatamente de casa e vai ter comigo ao café Farense! Lá por teres ficado desempregada, não vais ficar aí a curtir a depressão”.

Ana sabia que não valia a pena contrariar a sua obstinada amiga, então ali estava ela, sentada numa esplanada, sozinha, já que da doida da Joana, ainda nem sinal… Mas, curiosamente sentia-se mais animada e mais leve…

Estava tão distraída, tentando vislumbrar a sua amiga, que nem reparou no olhar do homem que a observava num misto de admiração, incredulidade e alegria…
O homem aproximou-se e disse: – Joana? Não posso crer! És mesmo tu? És, és! Claro que és!
Com espanto e interrogação Ana olhou-o e reconheceu de imediato o seu antigo – e bonito – colega de universidade.
– Carlos! Que surpresa! Também por Faro? Julgava-te no Porto. Senta-te e toma um cafezinho comigo. Está delicioso! – disse ela erguendo a chávena, ao mesmo tempo que reparava em como ele se tornara um homem interessante e charmoso.
– Sim, tive que vir resolver um problema na sucursal da minha empresa e olha… estou enrascado… E tu? O que fazes de esplanada em horário laboral? – disse ele, observando-a interessado.

– Eu… Nada de especial… Mas qual o teu problema?
– Olha fiquei, de repente sem a minha responsável da sucursal aqui no Algarve e agora, assim de repente, onde vou eu encontrar alguém, competente e de absoluta confiança?

– E se eu te disser que o teu problema está resolvido? Sabes… acho que este café faz milagres!
Mais tarde, quando a Joana lhe ligou a pedir desculpa por não ter conseguido ir ao encontro, ao invés de encontrar uma Ana abatida e chateada, encontrou uma mulher toda animada e até com um sentido de humor apurado.

– Eh lá! O que é que aconteceu, para teres melhorado assim tão de repente?
– Sabes, querida Joana, o café, além de nos dar ânimo físico e emocional, ainda nos abre portas, nos liga ao mundo, nos inspira… enfim… é uma bênção! – disse Ana entre risos.

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