Histórias de Café

“Na Primavera, no Luso…”

Era uma bela tarde de um sábado de Abril e a Primavera sentia-se há muito na folhagem das árvores, no chilrear dos passarinhos e nas roupas mais alegres das gentes. Marcáramos um encontro no Café “Casino” do Luso, bem no centro da estância termal, um Café com História e cheio de histórias para contar, muito marcado pela arquitectura Arte Nova e um bom serviço de bolinhos, chás e cafés.

Cheguei de carro, um pouco antes da hora combinada e sentei-me num banco, cá fora, esperando-o com uma certa inquietação e ansiedade. Conhecemo-nos uns meses antes, mas o velho telefone constituía ainda o meio mais rápido e mais eficaz, para entre nós se ir desenvolvendo uma amizade madura, própria de quem já havia ultrapassado a fasquia dos cinquenta. Coisas de velhos, nem pensar! A juventude não reside no ADN (não o dos genes mas o do ano de nascimento), mas na curiosidade e na alegria com que se encara o dia-a-dia…

Não me atrevi a entrar sozinha…esperava. Será que vinha? O atraso já se cifrava numa boa meia hora, mas o percurso dele apresentava-se bem mais longo e muito mais sinuoso. Havia que contemporizar… Por fim, ele lá chegou, com desculpas lógicas e coerentes. E eu senti-me reconfortada.

Entrámos então no “Casino” (hoje “Rosa Biscoito Luso”) e satisfizemos a vontade tornada hábito de pedir um café e um descafeinado, sentados numa mesinha escolhida pelos dois, no cantinho mais aconchegado da sala. Enquanto saboreávamos a bebida, desfiámos alguns lugares comuns, enveredando depois por uma conversa longa e muito mais séria…

Saímos do Café “Casino” de mãos dadas e rumámos ao cimo da Serra do Buçaco, para de lá perdermos o olhar numa paisagem deslumbrante, que nos leva até ao mar.

Aconteceu o amor, que nos liga há já quase vinte anos e que floresceu naquela tarde de um sábado de Abril, no aconchego de uma mesinha do café “Casino do Luso”. E o café foi só o pretexto para este encontro…

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